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Para Um Amigo…

Para Um Amigo...

Eu não sei como começar a te dizer tudo isso, é um assunto tão complicado, principalmente para alguém tão fechado… Mas eu preciso tentar, não por mim, mas por você.

Tem horas que estamos rodeados por todos os nossos amigos e mais um milhão de pessoas, porém mesmo assim nos sentimos tão sozinhos, inconsoláveis, parece que nada é capaz de aliviar a nossa dor e preferimos muitas vezes ficar com ela ali latejando em bobas expectativas de que vá embora, do nada. Só que não é bem assim, a gente acaba percebendo com o tempo… Tem horas que parece haver um vazio abissal aqui dentro, um vazio desesperado para ser cheio. Cheio de quê? Ora, qualquer coisa que iniba essa sensação ruim, tudo menos vazio, tudo menos silêncio. Tem horas que ninguém parece nos entender, que mesmo os melhores e verdadeiros nos encaram com olhos de inquisidores e aí o mundo parece ser tão cruel, parece não ser um lugar para nós. Tem horas que a gente quer desistir de tudo porque tudo está difícil, tem horas que a gente desacredita de tudo que é bom porque os noticiários não mostram alegria e nem sonhos, tem horas que a gente desacredita dos nossos sonhos porque a fé está fraca.

O que é a fé? O que pode ser capaz de tirar a tristeza daqui de dentro? O que é capaz de preencher o vazio? Deus. Sim, você não acredita, mas quem disse que isso é importante? Deus não vai te amar menos só porque você não O vê, não O sente. Ele sempre está ali por cada um de nós, mesmo que sejamos simplórios demais para perceber Sua grandeza; Ele sabe de toda a dor e toda a angústia que pode haver, Ele vê mente e coração e até entende quando você sofre mas não O procura.

Ele não quer que você vista uma batina e passe horas de joelho na Igreja, Ele só quer que você saiba que tem sim com quem contar em qualquer hora do dia, da semana, mesmo que por perto não haja amigos ou que falte luz na sua casa. Ele vai ser a sua luz, Ele vai te ouvir e te cuidar quando todo o mundo tiver te virado as costas. Sabe aquela vez em que você chorou no meio da noite agarrado aos travesseiros e você jurava que estava completamente sozinho, que ninguém estava ouvindo seus soluços mudos? ( Com certeza já deve ter havido noite assim para você) Pois Ele estava ali o tempo todo, Ele não te julgou nem te falou para mudar, Ele apenas te ouviu, te acariciou a cabeça e ficou ali contigo até você dormir, e depois, também, para ver se não ia acordar chorando de novo.

Dia virá em que você notará a presença dEle e não será por intermédio de ninguém, você vai procurar e você vai ver e sentir e vai sentir uma estranha felicidade, vai de repente notar que as coisas não são tão difíceis quando a gente descobre a existência de um Amigo tão bom e fiel como Esse, um amigo que só quer que a gente saiba que Ele existe. Eu te garanto, amigo, Deus é o melhor amigo que alguém pode ter, espero com afinco que um dia você também veja isso.

Licença Creative Commons
Para Um Amigo… de Agatha Fawkes é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Baseado no trabalho em paginasdobradas.wordpress.com.
Perssões além do escopo dessa licença podem estar disponível em https://paginasdobradas.wordpress.com/.

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I Don’t Know

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I don’t know
I have this doubt in my mind
I don’t know
I’ve tried to figure it out, but
I don’t know
I’ve heard and saw it all before
But I don’t know if you know I’m here.

I’ve been trying everyday to break the wall
But  everyday I get up and I fall
You’re a way better than me, I know
But I don’t know.

I’ve been trying to assemble my pieces
I’m looking for clues, but I’m not that smart
I’ve seen this, I know that feeling,
But I cannot find it around you
Why do you hide it so hard?

But I know that everytime you look at me I feel special
You are so lovely that it’s unfair for me to like you
Because I don’t know if I’m good enough for you
But I know… I love you.

Licença Creative Commons
O trabalho I Don’t Know de Alice L. Neruda foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em paginasdobradas.wordpress.com.

The End

Hoje eu peguei o nosso livro que estava na estante, coberto de poeira. Aquele em que eu escrevi “Eu + Você” na capa. Não quis abri-lo, mas mudei de ideia rápido. Fui folheando as páginas que escrevi até então. Desde o comecinho, quando notei a sua existência. Não o considero um diário, mas sim um livro, com muitos capítulos, porém inacabado. Vou folheando e lendo essa estória sem sentido, cheia de altos e baixos, onde eu era a narradora em 1ª pessoa. Você sempre foi o personagem impossível e distante. Eu me dediquei a escrever com uma letra bonita, mas de quê adiantou? Eu não te culpo por nada disso e nunca o farei. A culpada sempre fui eu, desde a primeira letra do primeiro capítulo. Comecei errando e tudo foi piorando com o tempo. As palavras aqui escritas são a prova disso. Virou um vício pensar em você dia e noite e me perguntar por que não era justo. Eu dizia não pensar mais em você e no mesmo instante seu rosto se formava em minha mente, me fazendo querer chorar. Mas hoje não. Não mais. Eu consegui, finalmente. Para o bem de nós dois. Sabe, foi estranho eu aceitar assim, tão de repente. Mas é isso. E agora, eu estou folheando este livro até chegar à ultima página. Vou terminar logo com isso. Não irá fazer diferença, pois você nunca soube da existência desse livro, nem de nada. Afinal, não faz mal terminar o que nunca deveria ter começado.

P.S.: The End.

É Linda

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É linda não é? Eu sei, ela também é, mas dessa vez me refiro a essa atmosfera, que apesar de parecer enorme, compreende apenas meu coração, e onde, apesar de falar “apenas”, é algo enorme, enfim, um paradoxo, mas que se resume a um coração que deixou de bater por sangue para bater por amor. Não que haja muita diferença, preciso dos dois pra viver.

É linda essa vontade de escrever, tentar falar a língua das emoções. Ainda arranho nesse idioma. Ensinaram-me uma frase bastante usada, logo muito confundida, mas que é a base desse idioma: “Eu te amo”. Não que tudo se resuma a isso, mas isso resume tudo. Tenho a impressão de que quanto mais escrevo, mais aumenta o que eu sinto. Sim, é como uma conversa, eu e meu coração, se eu sei me comunicar, assuntos não faltam.

É linda essa maneira de ver a vida, esquecer por um momento as dificuldades, as dúvidas e focar-se apenas nela, em mim, em nós. Frases clichês, como essa, passam a ser únicas. Momentos que se repetem todos os dias passam a ser fragmentos da eternidade. Palavras que simplesmente estão num dicionário, passam a ter mais significado do que o dicionário inteiro. Olhares que se desviam facilmente passam a ser um objetivo. Um sorriso, que pode vir com a mais simples piada, passa a ser amor. E um texto, que poderia ficar esquecido em um caderno velho, passa a ser uma relíquia, onde palavras num contexto falam mais do que sozinhas.

Ela é Linda, não há mais o que dizer. Há, mas deixo esse texto como um fragmento da eternidade do qual falei, onde textos se repetirão com certeza, mas únicos, uma inspiração diferente a cada olhar, cada sorriso, cada momento, onde olharei para toda essa história escrita pela vida, e direi: É linda.

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É Que Deu Saudades…

vovó

Hoje me bateu uma saudade de você, vovó, quer dizer, sempre sinto, é que hoje ela estava beliscando sabe, aqui dentro… Eu te amava muito, vovó, e ainda amo, só não tinha ideia do quanto e aí, quando a senhora foi embora, eu tive de conviver com o silêncio do meu quarto escuro sem as suas histórias antes de dormir, eu tive de conviver com a ausência daquela sua mão tão macia afagando meus cabelos, fazendo cachinhos nas pontas com os dedos, tão finos…

Eu tive que crescer quando a senhora se foi, eu não podia mais pegar as suas joias e seus batons e seus perfumes para brincar, pois alguns se tornaram meus então. Se era esse o preço, preferiria que eles ainda fossem todos seus para que eu tivesse de pegar escondida e, entre risadas, ser descoberta por você.

Eu ainda me lembro daquele dia, eu disse que você ainda havia de ver seus bisnetos crescerem e aí a gente riu, eu disse que você e a mamãe iam entrar comigo na Igreja, no dia em que eu casasse, uma de cada lado meu. Nós rimos de novo, mas depois de um tempo eu olhei ao redor e você não estava mais por ali, vovó.

Eu tenho saudades mil, mas eu vejo a senhora tanto em mim como na mamãe, parecemos demais com você, em muitos aspectos. Saiba que eu estou cuidando direitinho dela, e ela de mim, estamos fazendo tudo conforme o combinado.

Amadurecemos muito, mamãe e eu e estamos aqui, lembrando todo dia você e pedindo a Deus que Ele cuide bem de você aí e nós sabemos que Ele o está fazendo e somos muito gratas por isso. Te amo muito vovó, e mamãe também.

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É Que Deu Saudades… de Agatha Fawkes é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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Imagine…

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Imagine… Perder cada memória. Ver cada detalhe da vida que você construiu, ver cada obstáculo que você ultrapassou, cada amor que você cultivou, cada mínima conquista, se esvaindo, indo embora para nunca mais voltar. Todas as estórias engraçadas, as pessoas te fizeram feliz, os sorrisos que você deu, as vezes que apreciou a lua ou sentiu os raios do sol em um dia bonito, tudo sumindo, sem que você possa fazer nada. Todas as tristezas que acabaram se transformando em aprendizado fogem, você até tenta recordar aqueles momentos que você julgou inesquecíveis quando ocorreram, mas tudo lhe foi roubado. A satisfação de ter feito o bem a alguém, o orgulho de si mesmo, as memórias de criança quando a sua mãe podia protegê-lo de qualquer mal e o seu pai era um super-herói, tudo, tudo mesmo, apenas não está mais ali. Foi saindo aos poucos, sem pedir licença, sem esperar ao menos um pouco para que você pensasse em todos eles de novo antes de perdê-los para sempre.

Imagine sentir sua base, sua esperança, perdendo-se no infinito. Fotos perdem o significado, rostos vêm e vão sem que haja diferença, sem que algo seja capaz de tocar verdadeiramente o seu coração. São apenas estranhos, todos aqueles que um dia foram capazes de te fazer abrir um sorriso sem ao menos se esforçar. Lugares que evocavam sensações, são só lugares. Lugares vazios de lembraças, e vazios de sentimentos.

Imagine… não ter as belas imagens que você tem gravadas dentro de si, não poder se apegar aos momentos da estrada que você percorreu. E, com tudo isso, diga-me se não quer dar valor à vida que teve. Se não quer sorrir apesar de tudo, se não quer viver apesar de tudo. Mesmo que seja cruel. Mesmo que cause dor. Diga-me se não quer guardar cada momento. Eu quero.

Uma manhã de inverno

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Cheguei bem cedo na pequena estação de metrô. O frio me fez sair empacotada esta manhã. O meu pequeno relógio de pulso lilás informava que eu estava extremamente atrasada e que meu chefe iria me matar. Mas tudo bem…

Sentei-me no banco gelado da estação e fiquei a esperar pelo metrô. Procurei meu pequeno livrinho de bolso que havia começado a ler ontem para me distrair e passar o tempo.

Não havia ninguém no local, exceto eu, é claro. Aproveitei para ler em voz alta, pois adoro fazer isso sempre que posso. Na verdade, sempre que não há ninguém por perto para que eu não passe vergonha, porque além de ler, às vezes eu dramatizo.

“Denise jogou todas aquelas rosas pela janela e quase acertou-lhe com um jarro na cabeça.”

– É isso aí, garota! – falei

– Nossa, você não acha que ela está um pouco irritada?

Dei um pulo com o susto. Um cara havia chegado e sentado no mesmo banco onde eu estava e eu nem havia me dado conta. Ele também aparentava estar com muito frio.

– Ela está certa. – falei cheia de razão.

– Mas por quê?

– Ele foi mentiroso.

– Não exatamente. – ele falou e deu um sorriso que mais me pareceu um arrepio por causa do frio.

– Não, não. Ele mentiu esse tempo todo para ela. Isso não é justo. – falei indignada.

– Você está enganada.

– Ah é? Quer apostar como ele está errado?

– Quero.

– E como você pode ter tanta certeza assim? Você por acaso já leu este livro para poder provar?

– Eu o escrevi.

O metrô chegou. Eu me levantei meio sem jeito e fui em direção à porta que se abriu. Olhei para trás e fitei o moço.

– Continuo achando que ele estava errado.

Começamos a rir e eu entrei no metrô.