Tags

, ,

ANTES DE LER ESTE TEXTO, LEIA: https://paginasdobradas.wordpress.com/2012/04/04/o-recomeco-ela/

Acordei bem cedo naquele dia, Sophie ainda dormia tranquilamente ao meu lado, ela ficava tão fofa assim. Fiquei admirando a minha Sophie por alguns segundos e fui preparar o café da manhã, enquanto estava na cozinha escutei-a acordando, coloquei os pratos na mesa e voltei ao quarto.

Chamei-a para o café como faço normalmente, mas dessa vez não fui recepcionado com um beijo de bom dia, e sim com gritos e chutes. Pensei que ela estava tendo um pesadelo e tentei acalmá-la. Ela dizia que não estava lembrando-se de nada, nem mesmo o seu próprio nome! No começo achei que era brincadeira, mas o seu olhar assustado mostrava que eu estava enganado. Acalmei-a e comecei a falar:

-Bem, Sophie, tente tomar seu café, vamos ao médico depois daqui.

-Tudo bem…

– Por enquanto vamos ver se lembra de algo, hum… Eu sou Fernando, nós somos namorados e moramos juntos faz um ano e… Somos advogados… Consegue se lembrar de algo?

– Me desculpe, não.

Depois que terminamos de tomar o café da manha fomos ao médico. Eu ainda tinha algumas esperanças sobre o retorno da memória dela. Durante a visita essas esperanças foram quase todas destruídas, comecei a imaginar se ela não poderia estar inventando tudo isso.

Durante o retorno para o apartamento, não consegui me aguentar, bombardeei ela com perguntas.

-Mas, você tem certeza de que não se lembra de nada?

-Eu realmente não lembro.

-E sobre os nossos quatro anos de namoro?

-Sinceramente, não me lembro de nada.

Eu precisava que ela se lembrasse, então continuei a perguntar até que ela não aguentou mais e gritou muito comigo. Naquele momento, as esperanças que restaram tiveram o seu fim.

Voltamos ao apartamento, porém eu não aguentava ficar lá, minha cabeça estava muito pesada, eu precisava sair um pouco. Disse a ela que se precisasse dormir ficasse a vontade que eu poderia dormir no sofá, peguei as chaves do carro e saí.

Enquanto corria por uma rodovia vizinha a cidade, vários pensamentos passavam pela minha cabeça.

Aquilo não podia ser verdade, eu estava tendo um pesadelo, o que iria ser de nós? Ela com certeza iria querer ir embora, e eu ainda fiz as coisas piorarem, como o idiota que eu sou, como isso pode acontecer com a gente?

Depois de 20min correndo na estrada, parei o carro num acostamento, ao lado da placa “km 40”. Abri o porta-luvas, havia apenas uma caixinha lá dentro.

Abri a caixinha, ao olhar seu conteúdo não consegui mais segurar as lagrimas. Fechei-a e atirei-a pela janela do carro e caiu ao lado da estrada, onde ninguém pudesse ver.

E o dia em que eu iria pedir minha Sophie em casamento terminou comigo jogando as alianças fora.

CONTINUA

Anúncios