Tags

, ,

E naquele dia, acordei como se tivesse acordado pela primeira vez da minha vida. Abri os olhos, olhei para os lados, onde eu estava? Então veio uma dúvida ainda maior na minha cabeça, quem eu era? Não consegui lembrar.

De repente, um homem aparece na porta do quarto, e fala:

-Bom dia amor, já fiz o nosso café – e enquanto fala, seguia para me beijar.

Ele só podia ser algum tipo de pervertido. Não consegui fazer outra coisa além de gritar e dar um chute nele:

-QUEM É VOCÊ? SAIA DE PERTO!

– Sophie, deve ter sido um pesadelo, calma, sou eu, Fernando.

– E quem sou eu?

– Isso é algum tipo de brincadeira?

-Não! Eu não lembro de nada.

Esse homem me olhou com um olhar preocupado e disse que ia me levar ao médico. Enquanto tomávamos café, me contou algumas coisas para tentar me ajudar a lembrar. Meu nome era Sophie, era namorada dele, morávamos juntos e ambos éramos advogados. Não consegui me lembrar de nada, mas pelo menos vi que ele não era um pervertido.

Fomos ao médico, ele disse que nunca tinha visto alguém perder as memórias sem motivo algum e disse que infelizmente não sabia se elas voltariam. Desconfiado, perguntou se eu estava falando a verdade. Respondi que sim e entrei em pânico, mas por alguma razão, Fernando parecia mais abalado do que eu.

– Vamos para casa, ainda bem que estamos de férias – ele disse.

No caminho, esse tal de Fernando não parava de perguntar se eu lembrava algo sobre o nosso relacionamento. De acordo com ele iriamos fazer quatro anos de namoro no mês seguinte. Porém, eu não sentia nada por esse homem, e pelas expressões do médico, minha memória não irá voltar.

De volta ao apartamento, não aguentei mais aquele questionário e explodi com aquele homem:

-Me deixe em paz! Já cansei das suas perguntas repetitivas! Eu não me lembro de nada!

-Mas meu amor…

-Nada de ”meu amor”, eu não sou sua! Sinto muito, mas você é um estranho para mim.

Ele se calou, falou que ia dar uma volta e disse que eu poderia dormir na cama, ele não tinha problemas com o sofá. Minha cabeça estava agitada, precisava caminhar um pouco.

Andei um pouco pelos arredores do condomínio, percebi alguém me observando de longe. Ele estava num restaurante, tomando uma taça de vinho sozinho, por alguma razão comecei a andar na direção dele.

Ao chegar a frente ao restaurante, acabei ficando com bastante vergonha e dei meia volta, quando me virei, escutei-o gritando o meu nome:

-Sophie! Lembra-se de mim, Henrique?

Ao escutá-lo, meu coração começou a bater mais rápido, e uma sensação estranha tomou conta de mim.

Meu coração parecia ter se lembrado de alguém.

CONTINUA

Anúncios