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Cheguei bem cedo na pequena estação de metrô. O frio me fez sair empacotada esta manhã. O meu pequeno relógio de pulso lilás informava que eu estava extremamente atrasada e que meu chefe iria me matar. Mas tudo bem…

Sentei-me no banco gelado da estação e fiquei a esperar pelo metrô. Procurei meu pequeno livrinho de bolso que havia começado a ler ontem para me distrair e passar o tempo.

Não havia ninguém no local, exceto eu, é claro. Aproveitei para ler em voz alta, pois adoro fazer isso sempre que posso. Na verdade, sempre que não há ninguém por perto para que eu não passe vergonha, porque além de ler, às vezes eu dramatizo.

“Denise jogou todas aquelas rosas pela janela e quase acertou-lhe com um jarro na cabeça.”

– É isso aí, garota! – falei

– Nossa, você não acha que ela está um pouco irritada?

Dei um pulo com o susto. Um cara havia chegado e sentado no mesmo banco onde eu estava e eu nem havia me dado conta. Ele também aparentava estar com muito frio.

– Ela está certa. – falei cheia de razão.

– Mas por quê?

– Ele foi mentiroso.

– Não exatamente. – ele falou e deu um sorriso que mais me pareceu um arrepio por causa do frio.

– Não, não. Ele mentiu esse tempo todo para ela. Isso não é justo. – falei indignada.

– Você está enganada.

– Ah é? Quer apostar como ele está errado?

– Quero.

– E como você pode ter tanta certeza assim? Você por acaso já leu este livro para poder provar?

– Eu o escrevi.

O metrô chegou. Eu me levantei meio sem jeito e fui em direção à porta que se abriu. Olhei para trás e fitei o moço.

– Continuo achando que ele estava errado.

Começamos a rir e eu entrei no metrô.

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