Esperança

Eu queria ser a palavra que não sai da boca de um alguém, por medo de outras pessoas descobrirem o mundo dele, por felicidade de manter essa garota pequena povoando cada sonho e enfeitando cada pensamento. Eu queria ser o motivo de ele sorrir, eu queria que ele gostasse do meu jeito e se divertisse com isso, que achasse graça das minhas besteiras. Eu queria que esse alguém olhasse para mim e automaticamente pensasse, todas as vezes: “Essa é a minha menina, ah, eu preciso roubá-la pra mim!” Eu queria ser dele e queria que ele fosse meu também.

Eu queria que cada encontro nosso fosse um eterno apaixonar-se pelos mesmos sorrisos, os mesmos olhares, os mesmos jeitos sem jeito de não saber bem o que fazer. Eu queria olhar nos olhos desse alguém que aqui ainda não está – mas sei que estará – e ver amor, paz, satisfação, quero ver que aquele brilho é para mim, por ser quem eu sou, por estar onde estou, com QUEM estou. Eu queria que com ele as coisas fossem simples, fossem certas da maneira mais humana possível.

Eu queria que nós nos entendêssemos, que nós nos amássemos, eu queria que sentíssemos falta um do outro quando não estivéssemos perto, mas que temperássemos a saudade com paciência e bom humor, pois o reencontro sempre prometeria algo bom e gostoso de sentir. Eu queria que crescêssemos juntos, que corrigíssemos os nossos defeitos sem brigas, sem dor, eu queria que fôssemos a lente um do outro que faz o Sol brilhar mais, que realça as cores sem ficar parecendo carnaval.

Eu queria me perder nos braços dele, queria ter o perfume dele morando em meus pulmões, queria poder fazer-lhe carinho, bagunçar o cabelo, sussurrar besteirinhas no ouvido. Eu queria ouvir da boca dele, e mais, queria ver todo o conjunto da expressão, o nariz, a covinha do queixo, tudo se movimentando da maneira mais fofa possível para “eu te amo” se tornar audível, embora já fosse perfeitamente compreensível. Eu queria que fôssemos amor, que fôssemos um. Eu queria que simplesmente fôssemos.

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