Agora quero sorrir. Sorrisos verdadeiros. Sorrisos de alegria pura, de felicidade plena. Não sorrir sorrisos falsos que só existem para os outros, enquanto por dentro só existe amargura. Na verdade, nunca concordei com aquilo de “Sorria para o mundo não ver sua fraqueza”. Fingir para os outros pode me levar a fingir para mim mesma, pensar que está tudo bem, enquanto tudo se acumula dentro de mim.

Prefiro olhar para o céu e ver que a chuva cai. Que estou no meio da rua, sem nada para me proteger e cada gota que me toca provoca uma dor gritante. Após inúmeras tentativas falhas de me esconder, de fingir que a chuva não cai ou que não me machuca, vejo que não adianta. Sorrisos falsos não apagam a minha dor, então por quê me esforçar? Mais cedo ou mais tarde, a chuva vai passar.

Sorrir de verdade, sem esforço, me faz ver que a tempestade passou. Mas lembro que logo após a tempestade, as poças de água estão por toda parte. A água já não cai mais, porém ela ainda está lá, acumulada em poças, esperando alguém pisar para me molhar, trazer de volta a dor que já parecia ter ido embora. Felizmente, meu amigo Tempo faz a água evaporar, faz com que ela continue perto de mim, mas sem conseguir me molhar.

É, somente o Tempo faz as memórias continuarem ali, mas sem me machucar mais. Não mais dor, apenas memórias de algo que me fez crescer. Pois, acredite, sempre algo fica, algo bom, algo que me faz crescer, aprender. Mesmo que eu não veja agora.

E agora eu sorrio. Sorrio de verdade, pois olho para o céu e vejo um arco-íris, anunciando para o mundo que agora tudo está seco, que a tempestade já passou.

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