Punhal

O que me fez amá-lo? Eu não sei… Talvez por um motivo só, talvez por um conjunto de atitudes, talvez por essa minha carência… O mundo parava quando estávamos juntos; o mundo, não o tempo, este passava rápido demais, um piscar de olhos e já era hora de dizer adeus. Ele me abraçava e eu sentia que mal nenhum poderia se aproximar enquanto eu estivesse ali, imersa naquele sonho, tenho as mais lindas visões.

Eu não me apaixonei por beleza, eu amei por ele, por aquele sorriso, por aquele olhar, por aquele carisma, por aquele jeito de ser. Por fora, parecia um homem feito, mas por dentro era só um menino, e eu queria cuidar daquele menino, queria crescer junto dele, pois no fundo sou criança também. eu queria curar aquelas feridas, guardar direitinho aquele coração. Eu só queria poder amá-lo.

Mas engraçado como para ele esse meu amor não teve valor e isso me machucou tanto, sangrou tanto, demorou “mais de mês” para estancar. Quem disse que eu consegui tirar o punhal de meu peito? Ainda está aqui a marca do desprezo, o veneno do engano. Não sei… É cruel demais, é uma dor difícil de suportar e é difícil de acreditar que uma pessoa possa ter dois lados tão distintos, como pode carregar numa mão uma rosa e na outra, uma arma.

Muita coisa mudou desde então, eu mudei. Esse amor não é mais tão latente, tão cegamente sentimental, ele aprendeu a ignorar o que não faz bem, a fechar os olhos quando uma lágrima quiser cair. Meu amor aprendeu a se amar. E ele, que me me desprezou, me machucou? Ah, ele que se exploda, para não dizer outra coisa!

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Punhal de Agatha Fawkes é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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