Eu estava sentada naquele banco da pequena praça. As minhas mãos estavam gélidas e as luvas já não faziam mais efeito algum. Observei toda aquela neve que caía sobre o gramado, cobrindo também aquelas roseiras de quem eu lembrava tanto. Tudo ali me fazia voltar no tempo e relembrar tudo.

Fitei o cenário branco-neve e pude ver que tudo estava igual, nada mudara. Apenas havia neve. Eu estava sorrindo sem me dar conta. Sorriso involuntário que me distraia do intenso frio.

Resolvi voltar para casa. Não adianta mais esperar pelo que não irá voltar. Ele não me ama mais.

Dei passos pequenos, olhando para as marcas das minhas botas que iam registrando-se na grossa camada de gelo.

De repente despertei daquele meu olhar vago e já repleto de lágrimas. Percebi que  havia um par de botas azuis me acompanhando.

– Este lugar realmente me faz lembrar de muitas coisas.

Continuei a andar pela neve como se eu ainda estivesse sozinha. Não conseguia olhar-lhe nos olhos. Eu iria chorar mais ainda.

– Por favor, pare de andar.

– Eu não consigo.

– Eu posso te ajudar.

Caí de joelhos naquela neve congelante. Não me importava mais com o frio. Meu mundo estava desabando aos poucos e a minha vontade era de gritar bem alto. Mas eu nada disse.

Ele também caiu de joelhos ao meu lado. Ficou parado, feito uma estátua, focando a neve ao horizonte.

– O que você está fazendo? Vá embora.

– Não irei.

– Algo te prende aqui?

– Sim.

– Eu poderia saber o quê é?

– Um par de botas vermelhas que apareceu ao meu lado enquanto eu caminhava chorando de volta para casa.

 

 

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