É nessas horas que eu vejo que não foi mentira, que o que sentimos tempos atrás foi verdadeiro, apesar dos obstáculos, abismos e quilômetros postos entre nós. Mas só amar não era o bastante, teríamos de conviver com o fantasma da ausência e não tínhamos ideia se suportaríamos. Não, não suportaríamos.

Talvez esse tenha sido  o amor mais bonito que eu já sentira, mas ele se acostumou com essa brincadeira do Destino, com esse “não-poder-ter-e-nem-querer”, meu amor já se acostumou com a separação. Sinceramente, acredito que as coisas estão exatamente como deveriam estar, era o único modo de seguir em frente, nossas realidades são outras, nossas vidas se cruzaram e, quando pareciam ser uma só, se apartaram. Mas foi uma divisão desigual, partes de um foram com o outro e vice-versa, partes que doíam de saudades no começo mas que depois foram se desintegrando ao longo do caminho.

Sim, temos ainda longas jornadas pela frente, mundos desconhecidos a desbravar, muitos sorrisos, muitas paisagens, mas muitas reflexões solitárias e lágrimas também; não por nós, estas já secaram, mas por outros motivos, outras pessoas, outros amores. Eu nunca vou esquecer aquele sentimento, quer eu tenha vinte ou noventa anos, mesmo que a memória falhe, o coração não falhará. Apesar de tudo,  como anjos de guarda, nos resignamos a olhar um ao outro de longe, como uma benção de felicidade. Olhar de longe, bem longe…
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Longe… de Agatha Fawkes é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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