Deito. Fecho os olhos. Durmo. Não… Entre fechar os olhos, com a minha cabeça repousada no travesseiro, e dormir, há um longo período. Aliás, digo que é longo, mas não faço ideia de quanto tempo passo ali. Digo “ali”, mas não faço ideia de onde estou. Enfim, minha cabeça insiste em viver outra realidade antes de partir para o próximo dia, insiste em viver outras 24 horas, imaginar situações, planejar situações e se perder em meio a pensamentos que ás vezes parecem sem lógica.

Lógica? Nosso dia se resume a pensar conforme padrões, agir conforme gostos e pensar conforme a mídia. Ter lógica é ser preso, por isso, os pensamentos mais ilógicos, livres e diversos se passam por minha cabeça. Risadas, momentos, emoções, uma realidade alternativa, onde posso dizer “Meu mundo”, sim, há um lugar que pertence e obedece só a mim e não há ditadura, posso dizer que entre fechar os olhos e dormir eu dou um voo por um céu desconhecido, ilimitado, prazeroso e meu.

Os olhos fechados representam a máxima desconexão com essa realidade, até o que vemos afeta no que pensamos. O silêncio me da liberdade para criar os meus sons, e me deito, pois quanto menos de pé eu estou aqui, mais minha postura está firme nesse outro “lugar”.

Por fim, durmo para ser justo. Infelizmente a realidade em que vivo é outra, e seria horrível me acostumar com uma visão do que não é real, por isso, me perco e acordo. Assim sou lembrado de que meus pés estão aqui, meus olhos se abrem aqui. Não é justo viver e me suprir de algo que não é real. Todos nós temos esse momento… É tão bom, mas o mundo nos cobra e nos fixa nesse plano, mas sempre achamos um tempo, sim, sempre. Ali… Antes de dormir.

Anúncios