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Ah!, esse ódio que me invade às vezes… Essa inquietação de viver no meio de injustiças, nessa sociedade sem vergonha que se alimenta da pobreza e desgraça alheia.

Ah!, esse capitalismo lucrativo e satânico, no qual se tem milhões mas ainda conta-se os centavos de cada fração do salário do trabalhador arrancado por homens de olhos grandes e corações pequenos.

Ah!, essas ruas cegas, sustentáculos da miséria econômica e emocional, onde  se pisa naquilo que finge não se ver, onde o cheiro da pobreza torce os narizes, apressa os passos e chama olhares a serem desviados.

Ah!, o aroma da globalização me cheira mais a dióxido, monóxido, ácido, o mesmo cheiro das correntes que envolvem os pulsos e vedam a boca daqueles que se dispõem a serem escravizados com pixels, megapixels e aparelhos de hipnose com canais abertos.

Só me resta concordar com Augusto: viemos todos do amoníaco, do carbono, da escravidão. Sofremos e sofreremos as más influências do zodíaco. Mas de que adianta reclamar? Todas as minhas quimeras já foram enterradas e hoje sofrem a frialdade inorgânica da terra, miserável terra, na qual vivemos entre feras.

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O trabalho Ah… de Alice L. Neruda foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em paginasdobradas.wordpress.com.

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