Eu já me acostumei a dormir sem olhar aquela nossa foto, aquela que a gente tirou em dezembro, você lembra? Não?! Pois eu lembro; ela está na lixeira do meu computador, faz tempo que não a vejo, que não a sinto. As coisas estavam tão diferentes naquela época, meu sorriso fotografado, meus olhos, toda eu transmitia a esperança de que daquela vez ia ser amor.
Eu já voltei a ouvir as músicas que lembravam você e eu até canto junto às vezes; não canto pelo sentimento que eu ainda teimo em carregar, canto porque aquelas palavras merecem ser ditas e merecem que seja do fundo do coração, pois alguém as tirou de lá e colocou no papel. Vez ou outra uma lágrima escorre com as notas que quebram meu silêncio, mas são outras lágrimas, é outra entonação, é outra realidade; aliás, é A realidade, antes eu vivia sonhando, fosse acordada ou dormindo.
Eu já entendi que você nunca entendeu esse amor que eu sinto, esse amor que nunca deixou de te amar. Não sei se você algum dia fez esforço para tanto, mas já não importa, não mais, deixou de ser importante quando… Nem eu sei. Talvez quando o tempo passou e o meu mundo inverteu os polos, quando eu achei que não ia conseguir seguir em frente, mas aqui estou eu, seguindo, um passo de cada vez, alguns tropeços, mas sempre avante. Uma coisa que ainda não saiu de mim foi delirar que sinto seu cheiro pela casa… Acabei de sentir… E uma lágrima caiu.

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