Cara Saudade,

Ando com saudades… Não, não é de você. Você é que anda comigo, me lembra de sua existência e me lembra da existência de outras coisas, das quais, sim, tenho saud… Você.
Sinto falta do que meus olhos viam antes, do que meus ouvidos escutavam, do que o mundo fazia minha mente interpretar. Sinto falta de quando um abraço era demonstração de afeto ao invés de um cumprimento apenas. Não posso esquecer-me de quando tínhamos diversas maneiras de nos conectar, um abraço, um aperto de mão, um sorriso, um olhar, e não apenas a internet. As pessoas tinham sentimento porque seu coração mandava, e o conflito que existia era entre razão e coração. Hoje, as pessoas sentem amor por moda, para compartilharem fotos no facebook sobre isso, e o conflito que existe é de palavra, pois se eu digo “Eu te amo” tenho que memorizar pra quem eu disse, pois um dia qualquer acaba, mas tenho que fingir que não acabou para não me contradizer. Os atos não saem mais naturalmente.
Ah, “Eu te amo”, essas palavras não soam mais como antigamente. Já virou clichê reclamar do uso dessas palavras, mas isso não me impede de dizer que até os surdos já sentem a diferença na vibração do som dessa frase, não é mais a mesma.
Vejo pessoas que também andam ao seu lado, Saudade. Aliás, vejo você andando ao lado de muitas pessoas, pois mesmo você sendo a prova de que um passado valeu a pena, ninguém gosta de sentir saudade…
Escrevo essa carta, pois vejo que muitos humanos também gostariam que tudo fosse como era antes. Tudo com seu devido valor, em seu devido lugar, espero que você esteja menos presente daqui pra frente, pois o único que deve e tem a obrigação de ficar sou eu, você pode ir.

Tempo.

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