A rua estava vazia e a luz era tênue. A única pessoa visível era a garota sentada na calçada, sozinha, cansada de correr. Seus cabelos, outrora comportados e bem penteados, estavam desordenados. Seu rosto, não mais coberto com a fina camada de maquiagem habitual, as lágrimas varriam tudo. O lindo vestido florido já estava sujo, devido a todas as vezes que parara para descansar, quando correr não era mais suportável. Sempre, ao ouvir algum ruído, algum sinal de que alguém estava perto, a moça levantava e corria mais, sem direção. Sim, corria, ninguém deveria vê-la assim.

Por dentro, a garota ruía. Na sua mente, as palavras dele ainda ecoavam. Principalmente a última. NÃO.

“ Você é insuportável! Você me persegue, não me deixa em paz. Minha vida não é você! Eu percebi que você só me prende, que eu estou deixando de curtir a vida por sua causa! Além do mais,eu só quis começar isso porque estava sozinho há muito tempo, carente, e você estava lá se arrastando por mim, mais uma garotinha. Por que não tentar? Agora eu sei! Você é burra, idiota de achar que logo eu iria olhar pra você! Ridícula!”

“Nunca nem tinha me notado antes de eu me aproximar? Eu não significo nada pra você? Eu nunca fui o motivo do seu sorriso, a razão das suas lágimas? Você nunca sonhou comigo, como você me contava? E aquelas cartas não diziam a verdade? Não era o que você sentia? Nada era sincero?”

“Não.”

E o coração dela se quebra. Sem mais mentiras, essa era a realidade. A máscara caiu. E ele mesmo a retirou. Quanto tempo ela fora enganada, traída, por quem considerava seu príncipe. Mas ele não era seu príncipe. Era um monstro. Então, como uma princesa machucada, fugiu do monstro. Mas nessa história, nenhum príncipe de verdade apareceu para salvá-la. A princesa permaneceu escondida e jurou para si mesma que nunca mais se entregaria para alguém. São todos monstros.

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